Dec 11, 2008








Maria do Rosário na Élite aprendeu a ser uma mulher sofisticada. Já era uma rapariga elegante e sabia vestir para as ocasiões, mas tinha aprendido a maquilhar-se, a pentear-se, todos aqueles pequenos pormenores que transformam uma mulher elegante em sofisticada, sempre que era necessário. Aprendeu a domar a cabeleira, mas sempre que não estava a trabalhar voltava a ser apenas uma rapariga elegante, com ar exótico e meio selvagem, cuja sensualidade aumentava conforme os meses iam passando.
Tivera de se aplicar quando saíra da Élite para conseguir passar o primeiro ano, não com notas brilhantes, mas que apesar de tudo não a envergonhavam.
Foi passar as férias a Florença a casa da mãe, que vivia perto de toda a família. Foram umas férias inesquecíveis, apesar da mãe se não recompor do desgosto da morte do marido. Sempre fora frágil, mas tinha ficado tão debilitada….pensara que a mãe se recomporia mais depressa junto da família, mas isso não acontecera e pressionava-a para ir ao médico, poderia tomar uns fortificantes…a mãe dizia que era natural o seu estado devido ao desgosto que a não largava. Fora isso, até se sentia muito bem.
Foi preocupada que voltou para Paris, para continuar o curso.
Tinha um novo problema, teria de arranjar trabalho rapidamente se queria continuar a viver com aquelas duas estouvanadas, divertidíssimas. Naquela casa reinava a alegria junto com uma organização de espaço, pouco frequente em pessoas daquela idade. Respeitavam as necessidades de estudo e a individualidade de cada uma, davam-se muito bem. Lisa e Pilar, trabalhavam pouco e tinham bastante dinheiro, ela reparava, mas como não era nada com ela, nunca lhes fez perguntas.
Arranjara um outro restaurante, onde continuava a servir às mesas. Era pena pagarem tão pouco, porque gostava do que estava a fazer, apesar de ser cansativo, não a obrigava a pensar só a memorizar, o que era um bom exercício.
Não dava para pagar a sua parte da renda da casa.
Nessa noite Lisa e Pilar resolveram falar com ela e perguntar-lhe se não se queria juntar a elas, no trabalho que faziam.
- não sei o que fazem, nunca me contaram nada.
- trabalhamos na agência de Madame Jeanne
- deixei a Élite por não conseguir estudar, não volto mais a ser modelo
- mas não é uma agência de modelos, é uma agência de “escórte” (acompanhantes)
- são loucas? estão a propor-me a prostituição como solução? vocês quê? são prostitutas? mas…
Maria do Rosário, parou a olhar para as duas amigas, apalermada, sem saber o que pensar.
- prostitutas? louca és tu só de pensar isso de nós, respondeu Lisa, furiosa. Mas o que é que tu pensas de nós?
- fui eu que percebi mal? Não falaste de “escórte”?
- falei, mas não é prostituição, pelo menos na agência de Madame Jeanne. Ai de alguma de nós que tenha relações sexuais com algum cliente! Vamos imediatamente para a rua.
- explica lá então o que fazem, disse Maria do Rosário, tentando acalmar o ambiente.
- ouve bem, continuou Pilar, ouve bem, porque não te admito que penses isso de mim. Acompanhamos clientes, tanto em almoços, jantares como em reuniões de trabalho. Nunca estamos sozinhas com eles, a não ser no trajecto da agência para os locais previamente combinados entre o cliente e Madame Jeanne. Também há quem vá a reuniões de trabalho em lugares longínquos ou seminários que tenha de estar dois ou três dias. Mas a nós mais novas, Madame Jeanne, não deixa fazer esse tipo de trabalho. E não penses que é pêra doce, porque também tens de estudar os assuntos que se irão tratar nessas reuniões e jantares de negócios. Para todas essas explicações o melhor é falares com Madame Jeanne, aliás nem sabemos se ela te aceita, porque te irá examinar a tua cultura geral, e se a não tiveres não és aceite, pura e simplesmente.
- está bem, respondeu Maria do Rosário pensativa. Marquem-me lá uma entrevista com essa senhora, depois logo se verá se ela me aceita e se eu aceito o trabalho.




7 comments:

Valentim Coelho said...

Estás a contar uma história!! que giro. Já tinha pensado o mesmo mas nunca me atrevi a faze-lo.
Continuação de boa história.
Cumprimentos

silvioafonso said...

.


É complicado...
É muito complicado. Eu, que cá estou, fico desprovido de comentários, até porque dos fatos não sobram dúvidas, pois não?
Estarei a ler o que tu escrevestes e em outros balcões esperarei por tua boa graça.

silvioafonso



,

claras manhãs said...

Olá Valentim


Estou a fazer uma experiência e não estou a gostar.
Não sei se continuarei...

beijinho

claras manhãs said...

Olá Sílvio


é o ínicio de uma história...
que se calhar ficará só pelo início


beijinho

silvioafonso said...

.


A história só termina com uma convincente conclusão. conselhos, olhares acusadores e outros obstáculos serão arrastados para o caminho por onde passará a sua narrativa, mas você não deve se importar. Contorne o estorvo e siga em frente. Nós, os seus leitores e amigos esperamos pelo desfecho da novela.

silvioafonso.





.

Zica Cabral said...

nao a deixes por metade porque estou a gostar e suoer curiosa. Gosto da maneira como escreves. Continua por favor. Nao me deixes em suspense. :-)
Um beijinho
Zica

claras manhãs said...

sorriso

São convincentes!!!
Vou tentar reatar.

beijinho aos dois, Sílvio e Zica e obrigado pelo empurrão